quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Obesidade e Câncer de Mama

Obesidade

O excesso de peso é um fator de risco para o câncer de mama principalmente após a menopausa. Isso porque a partir dessa idade o tecido gorduroso passa a atuar como uma nova fábrica de hormônios. Sob a ação de enzimas, a gordura armazenada nas mamas, por exemplo, é convertida em estrógeno. O alerta é mais sério para aquelas que apresentam um índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 30. A redução de apenas 5% do peso já cortaria quase pela metade os riscos de desenvolver alguns dos principais tipos de câncer de mama. A constatação é de pesquisadores do Centro de Prevenção Fred Hutchinson (EUA), com base na avaliação de dados de 439 mulheres acima do peso entre 50 e 75 anos de idade. 

Para combater a obesidade, a mudança do estilo de vida, como a prática de atividade física e uma dieta saudável, rica em frutas, verduras, grãos integrais e redução de alimentos ricos em gordura, como leite e derivados integrais e carnes gordurosas, já são medidas que podem ajudar muito. 

Um abraço, Nutricionista Fernanda Bortolon

Outubro Rosa: Mês da Conscientização de Prevenção do Câncer de Mama

O câncer de mama é uma doença causada pela multiplicação anormal das células da mama, que forma um tumor maligno, atualmente é o mais comum entre as mulheres, sendo responsável por 22% de casos novos a cada ano. Essa doença assusta várias mulheres e a melhor forma de prevenção são os exames para detecção precoce. Compartilhe nas redes sociais as peças da Campanha de Prevenção ao Câncer de Mama nesse mês de Outubro Rosa.

Um dos fatores de risco para o aparecimento do câncer de mama é a obesidade. Também já é bem documentado que uma alimentação equilibrada ao longo da vida pode exercer um efeito protetor contra o câncer de mama, por isto estarei no mês de outubro, divulgando algumas dicas nutricionais relacionadas a este tipo de câncer.

Um abraço fraterno a todas as guerreiras que lutam contra este câncer.

Nutricionista Fernanda Bortolon.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Suplementação de Ômega 3 e Câncer de Próstata: Mito ou Realidade?

Excelente a colocação do Dr. Barakat com relação ao assunto, aproveito para compartilhar com vocês.
Com a divulgação da relação entre Ômega 3 e Câncer de Próstata, mais uma vez os meios de comunicação de massa prestam um desserviço à humanidade através da divulgação sensacionalista do resultado de um estudo científico isolado, tratando-o como a verdade final da ciência e divulgando-o para o público como se finalmente tivessem descoberto algo inédito.
A relação entre quantidade de gordura na alimentação e câncer de próstata está sendo pesquisada pela ciência nos últimos 20 anos, não sendo, portanto, uma “novidade” como foi anunciado – existem mais de 160 trabalhos na base de dados do Pubmed sobre o tema Ômega 3 e Câncer de Próstata).
Este trabalho divulgado nos jornais como uma grande descoberta, é um estudo prospectivo que avalia os níveis plasmáticos dos ácidos graxos e correlaciona estes níveis com câncer de próstata. Realizado pelos Drs. Alan Kristal e Theodore Brasky, analisaram os fosfolipídeos plasmáticos a partir de amostras de sangue de outro trabalho chamado SELECT (Selenium and Vitamin E Cancer Prevention Trial), no qual foi pesquisado se a vitamina E e o selênio preveniriam câncer de próstata.
Assim, a partir da análise do trabalho científico em questão, podemos observar que:
1) o estudo não é uma pesquisa do tipo caso-controle, ou seja, no qual exista um grupo utilizando ômega 3 e outro utilizando placebo. É um estudo epidemiológico que faz uma inferência associativa, não uma experiência direta ao tema. O estudo SELECT não tinha o objetivo de pesquisar o efeito do ômega 3 sobre o câncer de próstata. Não foi feita nenhuma avaliação dietética, ou se os participantes faziam uso ou não de suplementos de ômega 3, ou ainda, alguma avaliação sobre a fonte do consumo ou a forma que fora administrado o ômega 3. A questão levantada aqui é que a poluição ambiental pode contaminar os alimentos e causar aumento de toxinas e metais pesados, estes sim carcinogênicos e que, por consequência, podem levar ao desenvolvimento do câncer de próstata – e não o Ômega 3.
Além disso, os suplementos de Ômegas 3 disponíveis no mercado não são todos iguais, podendo ter muita diferença quanto à procedência, tipo de peixe, forma de fabricação e presença de toxinas e metais tóxicos. Todas as toxinas do mar podem ser acumuladas na gordura do peixe e o Ômega 3 é fabricado através de um concentrado dessa gordura. Nesta pode haver presença de metilmercúrio e outros metais pesados, PCB’s (produtos policlorados), dioxinas, entre outros. Muitos destes compostos são carcinógenos em potencial e podem causar, inclusive, o câncer de próstata. Por este motivo é que surgiu a necessidade de um processo de certificação e confirmação da qualidade do Ômega 3, sendo que a instituição mais respeitada e credenciada internacionalmente para tal é a IFOS, do Canadá, na qual o Ômega 3 de vocês é classificado com 5 estrelas.
2) Todas as conclusões deste trabalho baseiam-se no uso de um exame que é cientificamente questionado: o exame de dosagem de ácidos graxos nos fosfolipídios plasmáticos como marcador da ingestão de Ômega 3. Na própria discussão do trabalho, o autor questiona o valor do exame e a possível interferência da alimentação no resultado, assim como admite no trabalho que por motivos econômicos se utilizou desse teste. Sabe-se que a dosagem plasmática de ácidos graxos se refere ao que foi ingerido nas últimas 12hs, e que hoje está estabelecido que a dosagem de ácidos graxos em hemácias seria mais estável e correto para avaliar o verdadeiro status de consumo de Ômega 3 nos últimos 3 meses. A biópsia de tecido adiposo seria a forma mais efetiva, mas de difícil realização prática. A dosagem plasmática flutua por muitas causas (alimentação, atividade física, genética, idade…), e a dosagem em membrana de eritrócitos é um método mais fiel para avaliar a ingestão real de Ômega pelo paciente, pois os ômegas são incorporados nas membranas celulares.
Estudo feito por Shannon et al (2010) com dosagens de ácidos graxos em membranas de eritrócitos, comprovou que, quando se dosa ômega 3 em membranas, não existe relação com Câncer de Próstata!!!
Assim, toda credibilidade do trabalho fica comprometida, pois este se arroga a criar uma verdade a partir de um exame falho e inadequado e de uma inferência dos resultados para provar o que se propõe, o que torna sua conclusão refutada.
3) Outro aspecto é que o estudo usou percentagem de ácidos graxos e não a quantificação direta dos ácidos graxos. As conclusões foram tiradas comparando os quartis (quartil inferior comparado com o quartil superior). O grupo de menor risco tinha <3,68% de fosfolipídios plasmáticos e o grupo de maior risco >5,3%. Esta é uma faixa de variação muito pequena para se tirar conclusões. A média da percentagem de fosfolipídios de EPA+DPA+DHA no plasma de controles era 4,48%, e somente 4,71% no grupo de câncer. Haja cálculo estatístico para conseguir transformar esta pequena diferença em uma nova verdade!!
4) O autor tenta justificar os seus resultados apresentando uma metanálise ao final do estudo. Ele agrupou alguns trabalhos, inclusive dois dele, para justificar seus achados. Eu revisei esses trabalhos e apresentam os mesmos problemas metodológicos descritos acima. Existem muitos estudos que chegam a conclusões opostas deste trabalho: ou não encontraram relação entre ômega 3 e Câncer de Próstata; ou encontraram uma relação protetora de níveis teciduais mais altos de ômega 3, com menor risco e menor mortalidade. Por exemplo, os trabalhos de Chua et al. (2013), Sorongon-Legaspi et al. (2013), Torfadottir et al. (2013), Chavarro et al (2008), Terry et al. (2001), Harvei et al (1997).
5) A relação protetora e benéfica entre câncer e ômega 3 já foi confirmada diante de outros tipos de câncer, como mama e cólon. O ômega 3 apresenta inúmeras ações inibindo metabolicamente a propagação e crescimento do câncer, como resumido no trabalho de J. A. Stephenson.
6) O autor arremata seu artigo citando uma metanálise que saiu no JAMA em 2012, sobre a ação do ômega 3 e doenças cardíacas, insinuando que este efeito não foi comprovado nessa metanálise. Se analisarmos este artigo, a conclusão é que os estudos realizados até agora não foram significativamente estatísticos para comprovar o benefício, mas existe clara demonstração de seus efeitos benéficos sobre as doenças cardíacas (com exceção do AVC). Considerando que a mortalidade cardíaca nos EUA é em torno de 244 mortes por 100.000 habitantes e a mortalidade por câncer de próstata é de 22 por 100.000 habitantes (dados de 2008), fica claro a importância de se prevenir a doença cardiovascular.
7) Um dos motivos de tantas controvérsias nos resultados de estudos sobre Ômega 3 na literatura médica se deve, em grande parte, ao desenho destes trabalhos. Como nutriente o ômega 3 tem uma ação sistêmica, multifatorial, mas em trabalho que busca uma ação linear talvez não capte sua ação. Para se ter um melhor efeito, o ômega 3 não pode estar oxidado, assim o conteúdo de antioxidantes do paciente pode interferir no seu resultado clínico. Como modulador do processo inflamatório, seu efeito será maior se os nutrientes pró-inflamatórios como açúcar e ômega 6 forem reduzidos. Assim, se reduzir os aspectos multifatoriais a um aspecto linear, os benefícios já comprovados de seu uso evidentemente não aparecerão.
O ômega 3 é o suplemento nutricional mais estudado na ciência, com mais de 18.000 trabalhos encontrados no Pubmed. Seus mecanismos de ação e seus benefícios em inúmeras patologias já foram exaustivamente estudados. Minha preocupação com esse trabalho e à dimensão dada nos meios de comunicação de massa é em relação às pessoas que poderão deixar de se beneficiar pelo medo desmedido provocado por essa falsa notícia.
Concluo que a única consequência desta polêmica notícia (e desta longa discussão científica de mais de 20 anos) é que, em pacientes com história familiar positiva para Câncer de Próstata (pois todos os trabalhos mostram uma maior incidência nestes casos), possam ter seus benefícios pesados frente a estes riscos suspeitos. Somente esses casos podem ter um cuidado, como medida frente a uma possível dúvida, mesmo que esta dúvida não tenha fundamento científico sólido. Aguarda-se que estudos prospectivos com ômega 3 cheguem a uma conclusão definitiva e sepultem de vez essa dúvida, pois os benefícios de aumentar os níveis de ômega 3 (e diminuir os de ômega 6) é maior que seus riscos potenciais, para a maioria das pessoas – e isso continua sendo verdade.

Fonte da postagem: 
http://rspress.com.br/health4life/omega-3-nao-esta-relacionado-ao-cancer-de-prostata/
 

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Nutrientes que ajudam a fortalecer o cabelo depois da quimioterapia

Um dos efeitos colaterais que a quimioterapia provoca é a queda de cabelo, tão temida pela maioria das mulheres.  Após o tratamento com a quimioterapia, eles voltam a crescer, mas, em alguns casos, podem crescer temporariamente diferentes. É o caso do ator Reynaldo Gianecchini, que foi diagnosticado com linfoma não Hodgkin e, após o tratamento, apresentou um cabelo diferente, mais crespo e grisalho.
De acordo com o médico oncologista Artur Malzyner, o tratamento interrompe a multiplicação das células do bulbo folicular, responsáveis pelo crescimento da haste do pelo, provocando a queda gradativa do cabelo nos pacientes, deixando as pessoas que passam pelo tratamento carecas ou com pouco cabelo. Quando os fios voltam a crescer ocorre uma redução na espessura da fibra capilar e, dada a elevada variação na espessura dos fios no couro cabeludo do paciente, o cabelo se torna heterogêneo suficiente para se ondular.
Pode haver também modificações na quantidade de melanina nos fios de cabelo, alterando com isso a tonalidade dos mesmos. "Alguns pacientes passam a apresentar, transitoriamente, cabelos mais claros e outros pacientes cabelos mais escuros", diz ele.
Segundo o oncologista, ao longo de meses subsequentes à quimioterapia, no entanto, os cabelos podem voltar a ser como eram antes.
Já existem técnicas para controlar a queda durante a quimioterapia: "Dá para usar um dispositivo de resfriamento do couro cabeludo que causa a vasoconstrição local e reduz os efeitos do medicamento nos folículos", explica a Dermatologista Camila Hofbaue.

Nutrientes Amigos do Cabelo


Cisteína
Aminoácido que contém enxofre na estrutura. É convertido em cistina e depois em glutationa. A queratina, essencial para a formação do cabelo possui 15% de cisteína/cistina.
Fontes: Ovos, cebola, alho e brócolis.

Vitamina A
É fundamental para o crescimento dos tecidos, incluindo os cabelos. Nos formamos a vitamina A no organismo a partir da ingestão de fontes de beta caroteno (flolhas verdes,  frutas e vegetais de cores laranja, amarelos e laranja ou na forma de retinol aniamis (ovos, óleo de peixe e fígado).

Complexo B
Vitaminas B6, ácido fólico e B12 são importantes para formar as células vermelhas e hemoglobina que carregam o oxigênio para os tecidos, e isto inclui o cabelo, que depende do aporte constante de oxigênio e sangue para ser saudável. Você encontra vitamina B6 em frango, peixe, soja, cereais integrais, frutas oleaginosas e leguminosas. Ácido fólico em folhas verdes escuras, abacate, brócolis. B12 pode ser encontrada em alimentos de origem animal como carne, peixe, frango e ovos.

Biotina
Auxilia nos casos relacionados a oleosidade (dermatite seborreica) pois a Biotina melhora o metabolismo do couro cabeludo oleoso, além de ajudar a manter os fios mais saudáveis. É um dos nutrientes indispensáveis para manutenção dos fios.
Fontes: Ovos, fígado, cereais integrais, leveduras.

Vitamina C
A deficiência deixa os cabelos quebradiços. É essencial para a formação do colágeno que dá estrutura aos tecidos como o cabelo e melhora a circulação do couro cabeludo. Mantém os capilares que levam a irrigação sanguinea para o folículo piloso. 
Fontes: Frutas cítricas, vermelhas, pimentão, folhas verdes escuras, batata.

Cobre
Importante para formar a hemoglobina que irriga o couro cabeludo e também participa da formação do colágeno.
Fontes: Sementes, oleaginosas, frutos do mar e fígado.

Zinco
Fundamental para a síntese de proteínas (lembre-se de que o fio de cabelo é formado 98% por proteínas).
Onde encontrar: frutos do mar, ostras, sementes oleaginosas (de abóbora e girassol), carne, miúdos, peru, cogumelos, ovos, germe de trigo, levedo de cerveja.

Silício
O silício faz parte do tecido conjuntivo e por esse motivo todos os cremes hidratantes para a pele, cabelo e unhas contém silício. O aumento do consumo de alimentos ricos em silício favorece o rejuvenescimento. Deixa os fios saudáveis, brilhantes e previne a queda.
Fontes: aveia, milho, arroz, cogumelos, cevada, trigo, cavalinha, frango, miúdos do frango como coração e moela, vegetais, algas, frutos do mar.

Ferro
Importante na produção de glóbulos vermelhos, responsáveis pela circulação de oxigênio no sangue. Sua falta causa desânimo, queda de cabelo e fraqueza, de acordo com um alerta feito no último Congresso Brasileiro de Nutrição.
Onde encontrar: amêndoa, canela, carnes vermelhas em geral, castanha de caju, feijão preto, fígado, ovos, rúcula, soja.

Pró-vitamina B5 (pantenol ou ácido pantotênico)
Quando aplicada topicamente, penetra rapidamente na raiz e no corpo do cabelo. Através da técnica de microscopia eletrônica, mediu-se o seu efeito e verificou-se que encorpa o fio em até 10% do seu diâmetro normal. O tratamento com pantenol também reduz a queda de cabelo e acelera o seu crescimento.
Onde encontrar : miúdos, gema de ovo, levedo de cerveja, leguminosas, salmão, grãos integrais, germe de trigo.

Vitamina E
Ação anti-radicais livres; previne danos celulares decorrentes da UV e do envelhecimento; melhora a microcirculação do couro cabeludo; protege de gorduras oxidáveis.
Onde encontrar: óleos vegetais prensados a frio (azeite, por exemplo), ovos, germe de trigo, miúdos, vegetais folhosos, abacate, manteiga.

Atualmente existem no mercado suplementos nutricionais, específicos para auxiliar na queda de cabelo, converse com médico e/ou nutricionista para avaliar qual a sua necessidade, mas lembre-se que a alimentação equilibrada é fundamental.

Abraços fraternos a todos,

Nutricionista Fernanda S. Bortolon

Referências:
http://www.patriciadavidson.com.br/blog/diario-da-beleza-nutrientes-para-evitar-queda-de-cabelo/
http://cancerdemamamulherdepeito.blogspot.com.br/2012/09/depois-que-o-ator-reynaldo-gianecchini.html
http://www.mayoclinic.com/health/hair-loss/CA00037
Nutricionista Fernanda S. Bortolon

 

terça-feira, 18 de junho de 2013

Xiii.. ele perdeu o apetite!! E agora?



Receber um diagnóstico de uma doença grave, por si só, já gera medo, angústia, stress, raiva, insegurança, tensão, e tantas outras reações, algumas difíceis de serem explicadas com palavras. Também os familiares, ao verem que um ser amado adoeceu, reagem à sua maneira, com raiva, angústia, medos, negação, enfim, apresentam, igualmente, sintomas, sejam físicos, sejam emocionais.
A angústia, a ansiedade que acompanham uma doença como, por exemplo, o câncer, começa bem antes do diagnóstico... Sintomas, exames, testes, muitas vezes, o processo para conseguir diagnosticar “qual é o problema”, por si só, já gera stress. Mas a resposta chega. E, por mais dura que seja a realidade da doença, com o diagnóstico, chega o tratamento, a “saída”, a possível solução. E o renascer da esperança.
Como se não bastasse, porém,  durante o tratamento, o paciente deverá enfrentar, além das mudanças ditas “normais” na rotina, na sua vida (e na dos familiares mais próximos) em geral, os efeitos do desenvolver da doença e do próprio tratamento.
Cirurgia, radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia. Efeitos colaterais. Efeitos estes que são muito individuais, e, embora exista um “elenco” de efeitos esperados, estes podem varias de paciente para paciente.  Muitos destes efeitos, no entanto, podem ser “encarados de frente”, enfrentados, minimizados. Mas mais uma vez repito: vai depender de cada indivíduo, de cada organismo, de uma série de fatores combinados, lembrando que, a doença, geralmente, possui aspectos biopsicossociais, espirituais.
O paciente e seus familiares tentam, conforme lhes foi recomendado, ou pelo médico, ou pela psicóloga, ou até por aquele amigo mais chegado, viver a vida “ o mais normal possível, sem mudar tanto a rotina do dia a dia. E chega a hora das refeições.
Hora de comer, e o paciente não tem fome! Ele simplesmente não consegue comer! E agora, o que fazer?
O ato de alimentar-se, na nossa sociedade, é associado à questões ligadas ao prazer e à satisfação no mais amplo dos sentidos. Basta notar como, até hoje, mães que não conseguem, por um motivo ou outro, amamentar seus filhos no seio, sentem-se, muitas vezes, incompletas, culpadas, não boas “o suficiente”.  (Esta teoria, na verdade, já caiu por terra há muito tempo, mas infelizmente muitas a introjetaram de tal forma, que seguem sofrendo no seu interior)
A comida e, mais ainda, o alimentar-se, tem a ver não apenas com satisfazer de uma necessidade biológica, mas também (e especialmente com) uma função afetiva e social.
Afetiva, como a mãe que alimenta o bebe, como uma troca de carinhos, de cuidados...
Social, bem, basta considerarmos o fato de, muitas vezes, escolhermos bares ou restaurantes para os nossos encontros, sejam estes encontros de trabalho, com amigos, ou quando queremos surpreender alguém. (Quem recusaria um convite para jantar em um bom restaurante?)
Voltando então ao nosso paciente. Lhe falta o apetite, ele não tem a mínima vontade de se alimentar. E o familiar? O familiar, ansioso e angustiado com aquela situação, sentindo-se “com as mãos atadas”, por não poder fazer “algo mais” para o paciente, tende a, como uma mãe, repleta de boas intenções, mas nem sempre completamente ciente dos seus atos, insistir para que ele se alimente. E, o que acontece?
O apetite do paciente e a sua vontade de comer não é que voltam miraculosamente!
Insistir para que o paciente se alimente, talvez não seja a melhor solução. Isto pode acabar por aumentar ainda mais a angústia e o stress, seja dele, seja do familiar que, não vendo uma “mudança concreta” do ato de se alimentar, sente-se ainda mais impotente diante da situação.
 O ato de “insistir”, pode gerar ainda mais angústia, tanto no paciente que, sob pressão, pode inclusive vir a ter reações de raiva, descontrole, choro ou até  reatância, ou seja, se antes comia um pouco, a partir daí, simplesmente se negar a se alimentar.  Outras reações à pressão sofrida podem ser a caráter psicológico, refletidas no físico, como aumento de náuseas, mal-estar, vômitos, sem falar em insônia, nervosismo e agitação.
E o familiar? Sim, não podemos esquecer do familiar! Tudo isto pode aumentar ainda mais a sua ansiedade, a sua insegurança e a sua sensação de “inutilidade”. “Não sei o que fazer para ajudar!”  Mas então, como administrar esta situação?
Antes de mais nada, do ponto de vista nutricional, é importante uma boa avaliação com uma nutricionista oncológica, afim de receber orientações adequadas sobre como adequar a alimentação do paciente e, se necessário, fazer uso de suplementos alimentares específicos.
Do ponto de vista emocional, precisa, primeiramente, se dar conta de que as funções dadas ao “alimentar-se” foram simbolicamente representadas pela comida, mas podem muito bem ser substituídas, ou administradas de um  modo diverso. O “afeto”, por exemplo, não está no ato de “limpar o prato”, mas na troca de carinho, no contato olho no olho, na simples presença. Mais do que ser pressionado para comer, talvez o que possa aumentar, não digo tanto o apetite, mas a “vontade” de se alimentar seja poder estimular não apenas a “fome”, mas todos os sentidos! Uma mesa bem arrumada, elegante, com enfeites, pequenos detalhes... Um prato bem colorido, apetitoso, daqueles que a gente “come com os olhos”... Se possível, decorado, e feito com os ingredientes mais importantes: carinho e amor. Quem sabe uma música suave de fundo. Todos à mesa juntos, televisão DESLIGADA!! Buscar formas de estimular a visão, o olfato, a audição, o paladar... Que tal sugerir ao paciente simplesmente tentar saborear as coisas? E, com ele, tentar achar novos temperos, novas combinações, novos sabores? (Muitas vezes a medicação altera o gosto dos alimentos e, vamos combinar, carne com gosto de metal não deve ser lá essas coisas!)
O momento da refeição pode (e deve) ser também um momento de trocas, de afeto, de socialização. Eu arriscaria a dizer que a “comida” ali não é a causa, mas a consequência! Vimos como “causa” como se, para estarmos juntos, precisássemos de uma “desculpa”. Na verdade, porém, talvez o mais importante destes momentos sejam exatamente as trocas. De afeto, de ideias, de conhecimentos, enfim...
Mesmo que o paciente não tenha fome, é importante que ele esteja presente, e participe destes momentos.  Sentar à mesa, todos juntos. Beliscar uma ou outra coisinha. Ousar, arriscar. Se não der, tudo bem. Nada de insistir demais, pois, como visto anteriormente, isto pode acabar piorando a situação. Conversar. Sobre a vida, sobre as coisas, sobre o que vai bem, o que melhorou, enfim, esquecer um pouco dos problemas, da doença, do sofrimento, da dor... Ajudar o paciente a sentir-se, ainda, não um paciente, uma pessoa doente, mas um ser humano. Uma pessoa simplesmente. Com medos, inseguranças, mas também com sonhos, esperanças, e com uma VIDA que vai além, muito além do seu diagnóstico!
E os familiares? Estes poderão se tranquilizar de que fizeram, de que estao fazendo a sua parte. Sem cobranças, sem angústias “extras”, sem stress... reconhecendo os limites do paciente, mas também (e especialmente)  as próprias limitações.

Psicóloga
Especialista em Psico-Oncologia
Especialista em Cuidados Paliativos
Marian de Souza

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Envolvimento da nutrição na iniciação e progressão do câncer

A neoplasia maligna, popularmente chamada de Câncer, é a segunda maior causa de mortalidade no mundo, perdendo apenas para as mortes ocasionadas pelas doenças cardiovasculares. De acordo com a Organização Mundial da Saúde , foram registrados 1,4 milhões de mortes no mundo no ano de 2010. A relacão entre o câncer e o estado nutricional é muito vasta. A nutrição está diretamente envolvida na prevenção, iniciação, progressão e tratamento do câncer.
 O câncer é uma doença com muitos fatores etiológicos envolvidos. Esta doença é caracterizada pelo acúmulo de mutações no DNA da célula, alterando sua fisiologia e permitindo a sua auto multiplicação e perpetuação, dominando, desregulando e matando o organismo no qual ela se desenvolve. 
A nutrição é um dos fatores desencadeantes das mutações que ocorrem no DNA. Os processos utilizados para a longevidade de alimentos perecíveis, como os inseticidas e herbicidas, os processos de armazenamento, processamento e estocagem de alimentos industrializados fazem com que elementos químicos utilizados nestes processos sofram oxiredução nas nossas células, possibili
tando a formação de moléculas eletricamente instáveis, os radicais livres.
Radicais livres são moléculas químicas que num dado momento apresentam um elétron livre, tornando-se altamente reativas, neste estado estas moléculas podem se combinar com bases nitrogenadas do DNA favorecendo as mutações. Não que os radicais livres sejam a única causa das mutações que ocorrem no DNA, mas eles são sim, moléculas presentes na nossa alimentação e mutagênicas.
Nem sempre podemos nos livrar destes elementos químicos que vêm acoplados aos nossos alimentos, mas evita-los é uma forma de prevenção das mutações que levam ao câncer. Uma alimentação sem a presença de elementos químicos reativos favorece a fisiologia e a longevidade das células, evitando a iniciação das células tumorais.

Por: Maria Regina Orofino Kreuger
Professora da UNIVALI

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Destaques do Congresso da American Society of Clinical Oncology (ASCO), o maior e mais importante congresso de oncologia do mundo. Acontece de 31 de maio a 4 de junho em Chicago

Melanoma
O Congresso da American Society of Clinical Oncology (ASCO), realizado de 31 de maio a 4 de junho em Chicago (EUA), com a presença de mais de 40 mil médicos, apresentou, no final de semana, três novos tratamentos para melanoma.
Em um estudo com 245 pacientes  com a doença, os pesquisadores confirmaram que adicionar um estimulante imunológico, chamado GM-CSF (sigla em inglês para estimulador de colônica macrófago-granulócito), ao tratamento com a droga Ipilumimab - substância do Yervoy, droga aprovada recentemente no Brasil - aumenta a efetividade do tratamento. Outro remédio, chamado Nivolumab, mostrou resultados muito encorajadores quando comparados aos dados históricos do melanoma previamente já tratados. Pesquisadores também descreveram que o Selumetinibe, comparado à quimioterapia, aumenta a sobrevida de pacientes com melanoma ocular.

Dr. Stephen Stefani, oncologista do Instituto do Câncer  Mãe de Deus e membro da American Society of Clinical Oncology, assinala que estes avanços são muito promissores no sentido de que, após quase uma década em novidades importantes, alternativas sofisticadas começaram a mostrar resultados. Para uso rotineiro na prática clínica assistencial ainda são necessárias algumas etapas de discussão científica mas, cada vez mais rapidamente, devem fazer parte do arsenal terapêutico desta doença, diz o médico.

O melanoma é o tipo mais agressivo de câncer de pele, devido à sua alta possibilidade de metástase e taxa de mortalidade elevada. No Brasil, o melanoma corresponde a 4% de todos os tumores malignos de pele, porém, é responsável por 75% dos óbitos decorrentes da doença. E, nos últimos 20 anos, o número de casos triplicou em mulheres e duplicou em homens. De acordo com a Sociedade Americana de Câncer, a taxa de mortalidade por cem mil habitantes nos últimos 30 anos apresentou um aumento de 120% nos homens e 48% nas mulheres. Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que anualmente ocorram cerca de 130 mil casos novos desse tipo de câncer no mundo, com maior incidência entre a população de pele branca.

Apesar dos resultados serem preliminares, a comunidade científica parece  ter descoberto como “alertar e estimular” o sistema imunológico a combater esta doença que tanto preocupa a sociedade.


Câncer do Pulmão

Novas moléculas de uso oral podem reduzir a progressão de alguns tipos de câncer de pulmão mais do que quimioterapia tradicional

Estudo com 347 pacientes com câncer de pulmão avançado - especificamente um grupo com uma alteração no gene ALK - que receberam o medicamento crizotinibe tiveram 65% de redução do tumor, mais que o triplo do que o grupo que recebeu quimioterapia. O tempo de resposta também foi maior, quase 8 meses comparado com 3 meses. 


Comentário Dr. Stephen: O estudo aponta para algumas tendências da oncologia moderna, com uso de drogas orais especificamente reservadas para grupos com determinadas características genéticas, personalizando a tomada de decisão médica


Câncer de Rim e de Fígado

Droga usada em câncer de rim e fígado tem atividade em câncer de tireóide

Após 40 anos sem drogas aprovadas para tratamento de câncer de tireóide, o sorafenibe (Nexavar, droga usada em câncer de rim e de fígado) mostrou atividade nesta doença. Apesar de taxa de resposta pequena, 12% dos pacientes que usaram o remédio tiveram redução do câncer, os resultados animaram pesquisadores que observaram somente 1% de resposta em pacientes que não usaram o remédio.

Comentário Dr. Stephen: Drogas de uso oral tem sido cada vez mais presentes e, já no próximo ano, farão parte do arsenal dos pacientes com plano de saúde. O custo elevado deve limitar o acesso aos remédios para pacientes que dependem do SUS. Mais importante do que os resultados objetivos, é o conceito de haver uma direção que pode trazer resultados em uma doença muito carente de opções.


Câncer de Ovário

Nova droga em câncer de ovário é debatida no Congresso Americano de Oncologia, em Chicago

O Pazopanibe (Votriente, comprimido aprovado no Brasil para tratamento do câncer de rim) foi avaliado em 940 pacientes com câncer de ovário. A progressão da doença em pacientes que usaram o medicamento foi, em média, após quase 18 meses, comparado com 12,3 meses de quem usou placebo. 


Comentário Dr. Stephen: Apesar de ser medicamento oral, cabe mencionar que se trata de quimioterapia da mesma forma. Neste sentido, a recomendação de utilização - se houver aprovação dos órgãos regulatórios no futuro - deve ser rigorosamente debatida com paciente e supervisionada por especialista. Neste estudo, 1 em cada  4 pacientes experimentaram efeitos colaterais.


Câncer de Colo de Útero

Uso de Vinagre no exame ginecológico pode ajudar a reduzir mortes pode câncer de colo de útero. Estudo realizado por 15 anos na India, apresentado em destaque na ASCO, utilizando um esfegaço com vinagre e uma lâmpada mostrou ser uma estratégia de baixo custo para detecção precoce e redução de mortes por câncer de colo de útero. Dr. Ted Trible, do National Cancer Instituto (NCI) descreveu resultados, com entusiasmo, uma vez que as estimativas apontam para potencial de mais de 70 mil vidas salvas a cada ano com esta estratégia. O exame tradicional de triagem é o raspado de colo de útero - o Papanicolau - pode ser restrito em países de baixa renda como India.


Comentário Dr. Stephen: Estratégias de baixo custo e impacto tão importante merecem atenção, especialmente em países com baixa renda e uma prevalência alta de uma doença completamente curável quando identificada precocemente.


Câncer de mama

Tamoxifeno por tempo prolongado reduz risco de câncer de mama

O medicamento amplamente usado na prevenção de recaída para pacientes que tiveram câncer de mama, especificamente aquelas com tumores relacionados a hormonios, é recomendado de maneira geral por 5 anos após cirurgia do câncer. Estudo de grande porte apresentado em Chicago sugere que o uso por 10 anos pode beneficiar ainda mais as pacientes. O risco de recaída foi 30% menor. A presidente da American Society of Clinica Oncology (ASCO), Dra. Sandra Swain chamou a atenção para importância deste estudo durante o evento: "os dados são importantíssimos e devem ser discutidos com atenção".


Comentário Dr. Stephen:: Estes dados vem corroborar outro estudo que aponta na mesma direção. Análise cuidadosa do ganho absoluto é fundamental para equacionar de forma adequada a relação de risco e benefício

Moglia Comunicação Empresarial

Dr. Stephen Stefani
Oncologista do Instituto do Câncer Mãe de Deus, Porto Alegre
Membro da American Society of Clinical Oncology