segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Por que algumas mulheres ganham peso durante o tratamento do Câncer de Mama?

Muitas pessoas ganham peso quando são tratados com quimioterapia e corticosteróides. Seu ganho de peso pode ocorrer após a quimioterapia e pelo uso da terapia hormonal (tamoxifeno ou inibidor da aromatase).  O seu corpo modifica também pela menopausa desencadeada pelo tratamento no combate ao câncer.

ganho de peso pode estar associado com a enzima lipoproteína lipase (LPL), a qual é controlada pela insulina. LPL situa-se na superfície de células de gordura e puxa para fora da corrente sanguínea e para dentro da célula. Se LPL está em uma célula muscular, ele puxa a gordura na célula, onde ele é usado como combustível. Se LPL está em uma célula adiposa, a gordura puxa para dentro da célula e o torna mais gordo.

É importante saber que o hormônio estrogênio suprime a atividade LPL em células de gordura. Este efeito poderia ser uma das razões pela qual algumas mulheres ganham peso após a menopausa ou após o tratamento do câncer de mama que diminui drasticamente os níveis de estrogênio. Com menos estrogênio no organismo, a LPL pode puxar a gordura em células de gordura e armazena-lá.

O impacto do diagnóstico, o rompimento da vida social, a interferência da doença em casa e no trabalho, diminuição da atividade física, além dos tratamentos  podem contribuir para o ganho de peso. Durante a quimioterapia, fluidos e esteróides juntamente com menos atividade física e um aumento pelo consumo de doces se combinam para causar ganho de peso.  


O uso de terapias hormonais faz você ganhar peso e a perda se torna muito difícil. Dois dos principais estudos realizados nos Estados Unidos e no Canadá pela National Surgical Adjuvant Breast e do Bowel Project (NSABP) mostrou que as mulheres que tomam um placebo tinham a mesma probabilidade de ganhar peso como mulheres tomando tamoxifeno. (Porque os inibidores da aromatase são relativamente novos, a investigação sobre os inibidores de aromatase e ganho de peso não foi feito ainda.)

Perder peso se torna muito mais difícil à medida que envelhecemos, mas ainda pode ser feito com mudanças na alimentação e estilo de vida. Ser bom para si mesmo; não se autopunir.

Há muitas boas razões para manter um peso saudável. Você vai se sentir mais forte, com mais energia, e aumentar a sua auto-estima. Além disso, a pesquisa mostrou que o excesso de peso pode aumentar o risco de recidiva da doença. Alguns estudos têm demonstrado que as mulheres que estavam acima do peso no momento do diagnóstico tinha cerca de um terço do risco aumentado do câncer voltar. (Por exemplo, o risco pode ir de 6% a 8%). Outros estudos mostraram mais que o risco da doença voltar é cinco vezes maior mulheres com ganho de peso.

O primeiro passo para perder peso, é conversar com um Nutricionista Especializado em Nutrição e Câncer, sobre um plano alimentar individualizado de acordo com suas necessidades, visando também a prevenção da recidiva da doença através de uma alimentação funcional com nutrientes específicos.

Dicas e Receitas no Instagram

Olá amigos seguidores do Blog, mil desculpas por ficar um tempinho sem postar mas o fim de ano foi super corrido.
Para quem tem Instagram, é possível acompanhar várias receitinhas e dicas que posto lá, o IG é @nutrifernandabortolon!!
Vejo vocês por lá,
Um ano com muita saúde a todos.
Fernanda Bortolon

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Novembro Azul - Alimentação e Câncer de Próstata



No Novembro Azul, Mês Mundial de Combate ao Câncer, não poderia deixar sobre a alimentação e seus aspectos contra esta doença.
O câncer de próstata é a segunda causa mais comum de câncer em todo o mundo depois do câncer de pulmão.  No Brasil, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens (atrás apenas do câncer de pele não-melanoma). Em valores absolutos, é o sexto tipo mais comum no mundo e o mais prevalente em homens, representando cerca de 10% do total de cânceres. Sua taxa de incidência é cerca de seis vezes maior nos países desenvolvidos em comparação aos países em desenvolvimento. Estimativa de novos casos para este ano é 68.800.                                                                                                          


Já está comprovado que manter o peso saudável e uma dieta rica em frutas, verduras, legumes, grãos e cereais integrais, e com menos gordura, principalmente as de origem animal, ajudam a diminuir o risco de câncer de próstata.
Alguns componentes da alimentação que agem tanto como fatores preventivos como fatores de risco vêm ganhando cada vez mais destaque. Conforme uma revisão sistemática publicada pela Revista Nutrition & Metabolism deste ano, o consenso sobre os aspectos nutricionais e alimentação são:

Tabela - Resumo das evidências atuais sobre a relação entre os fatores e os suplementos dietéticos e risco de câncer de próstata
1.      A ingestão de carne vermelha está associado com aumento do risco de câncer de próstata; o consumo de carne vermelha deve ser limitado a <500 g por semana.
2.      A alta ingestão de gordura (ácidos graxos, principalmente saturadas e ácido linoleico) está relacionada com o aumento risco de câncer de próstata
3.      O consumo de leite e derivados integrais parece estar associada com um risco aumentado de cancêr da próstata e a sua ingestão deve ser reduzida.
4.      O consumo diário de tomates e produtos à base de tomate (não os industrializados) pode ser preventiva no câncer de próstata.
5.      Os vegetais crucíferos (repolho, brócolis, couve, couve-flor, couve de bruxelas, nabo, agrião, rabanete, repolho, mostarda) podem ser benéficos se consumidos diariamente, mas isoladamente não pode ser defendido como preventivo do câncer de próstata, devido à escassez de ensaios clínicos randomizados.
6.      Romã pode ter um papel importante na prevenção e retardar a progressão do câncer de próstata, porém mais estudos são necessários.
7.      O chá verde aparece como agente quimiopreventivo do câncer de próstata, mas não há benefício conconclusivo em pacientes já com o câncer de próstata
8.      A suplementação de Selênio não é recomendada na quimioprevenção do câncer de próstata e níveis muito elevados pode ser fator pró-cancerígeno.
9.      Suplementação de vitamina A não é recomendado como parte da dieta quimiopreventivo para prevenir o câncer de próstata.
10.  A suplementação com vitamina D não é defendida como prevenção de câncer de próstata ao menos que o paciente tenha deficiência. Altos níveis de vitamina D pode estar associado com um pior prognóstico.
11.  Não há nenhuma evidência sobre os benefícios de pré ou probióticos na prevenção do câncer de próstata.

           Prostate cancer and the influence of dietary factors and supplements: a systematic review. Mandair et al. Nutrition  & Metabolism, 2014.

A conclusão dos achados na literatura científica quanto uma dieta saudável para a prevenção do Câncer de Próstata são as seguintes:
Escolha uma alimentação saudável e variada. Opte pelos alimentos orgânicos, evite os produtos industrializados, carnes gordas e leite e derivados integrais. Inclua cereais integrais, sementes e grãos em sua alimentação. Coma Comida de Verdade!




Referências:

            

1)  Prostate cancer and the influence of dietary factors and supplements: a systematic review. Mandair et al. Nutrition & Metabolism 2014, 11:30. 

3)  www.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home/prostata+/definicao. Acessado em 19/11/2014.

4)  Estimates of worldwide burden of cancer in 2008: Ferlay J, Shin HR, Bray F, Forman D, Mathers C, Parkin DM:  Int J Cancer 2010,127:2893–2917.

 


terça-feira, 7 de outubro de 2014

Coma bem Durante o Tratamento de Câncer de Mama

Nutridicas para ajudar as mulheres que estão realizando tratamento contra o Câncer de Mama:
Mantenha-se saudável
Mantenha-se em movimento, respeitando suas limitações e orientações médicas
Consuma os alimentos certos para obter os nutrientes adequados (em breve post sobre os alimentos indicados)
Evite ganho de peso
Enquanto você estiver fazendo quimioterapia, radioterapia, ou ambos, siga estas dicas:
Beba pelo menos 8 copos de água ao dia. A ingestão inadequada de líquidos pode ocasionar: vertigens, tonturas, náuseas, constipação, fadiga, retenção hídrica, infecção do trato urinário)
Evite pular refeições. Tente comer pequenas refeições fracionadas ao longo do dia.
Opte pelo consumo de proteínas magras, como frango, peixes, ovos e limite a carne vermelha para 1x/semana. 
• Evite leite e derivados integrais.
Consuma 1 porção de leguminosas ao dia, tais como: feijão, lentilha, grão de bico, ervilha.
Escolha alimentos ricos em fibras, como verduras, frutas, grãos e cereais integrais. 
Consumo pelo menos 5 cores de frutas e verduras ao dia.
Limite a ingestão de açúcares refinados, como doces, suco e refrigerante regular. O excesso de açúcar refinado e doces pode causar fadiga pelas oscilações bruscas nos níveis de açúcar no sangue, além de serem calorias vazias.
Pergunte para o nutricionista e/ou médico antes de tomar quaisquer vitaminas, minerais, ervas ou outros suplementos nutricionais.
Os quimioterápicos Metotrexato e capecitabina (Xeloda®) podem interagir com ácido fólico. O ácido fólico é um nutriente encontrado na maioria dos multivitamínicos e em alguns alimentos enriquecidos. Se estiver a tomar estes medicamentos, fale com o seu nutricionista e ou médico.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Será que o Câncer Ama o Açúcar?

Amigos,
Atualmente temos visto muitas informações citando que o açúcar "alimenta" o câncer, baseada sem nenhuma evidência científica.
Não existe nenhuma pesquisa em humanos comprovando que o açúcar provoca o desenvolvimento das células cancerígenas e consequentemente metástases.
Evitar o açúcar refinado é uma ótima idéia, mas cortar alimentos que possuem o açúcar natural não vai parar o crescimento das celúlas do câncer. Todas as células do nosso corpo precisam de glicose para prover energia ao nosso organismo. 
Nosso corpo utiliza glicose, a unidade mais simples de carboidratos, como seu principal combustível. Sem a ingestão adequada de carboidratos, o corpo vai obter a glicose de outra fonte, como a quebra de proteínas que ingerimos ou proteínas armazenadas no nosso corpo, o que pode levar à perda de massa muscular e desnutrição.
Eliminando todo o açúcar da dieta do paciente, vai ocasionar danos as células saudáveis do nosso corpo, que necessitam de energia para a manutenção da energia vital.
Muitos tipos de câncer e seus tratamentos causam prejuízo no estado nutricional, como a perda do apetite, saciedade precoce e a restrição de alimentos pode piorar ainda mais o quadro do paciente.
A alimentação mais indicada para o paciente oncológico, é a equilibrada e natural, rica em frutas, verduras, alimentos e temperos funcionais.
Limitar a quantidade de açúcar refinado e alimentos processados durante o dia é importante. As dietas ricas em carboidratos simples pode levar à obesidade e excesso de peso, o que indiretamente aumento o risco de câncer ao longo do tempo. Certos tipos de câncer, como mama, cólon, próstata e pancreático estão associados com a obesidade.


Referências.
http://www.dana-farber.org/Health-Library/Sugar-and-Cancer-Cells.aspx
http://www.cancercenter.com/discussions/blog/does-sugar-feed-cancer/
http://www.cancer.ca/en/prevention-and-screening/be-aware/cancer-myths-and-controversies/sugar-and-cancer/?region=on
http://www.mdanderson.org/publications/focused-on-health/issues/2012-november/cancersugar.html
http://www.cancer.gov/cancertopics/myths
 

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Cúrcuma x Câncer

A cúrcuma, também conhecida como gengibre amarelo é originária da Ásia e chegou ao Brasil por volta do século XVII, ganhando o nome de açafrão-da-terra. Sua utilização se dá mais na forma de pó, obtida através da raiz seca moída, com sabor levemente picante. Pode ser utilizado para acentuar sabor e dar cor a muitos pratos, tanto salgados quanto doces.

Desde a descoberta das propriedades antioxidantes de compostos fenólicos (curcumina), tem sido objeto de estudo na prevenção e tratamento do câncer. Suas principais ações no câncer: está na potente diminuição da produção de substâncias inflamatórias e inibição do crescimento de células cancerígenas, demonstrando efeito sinérgico positivo com drogas anticâncer.
Pesquisas recentes vêm demonstrando atividades:
  • Anti-inflamatória;
  • Anti-viral e anti-fúngica;
  • Antioxidante;
  • Imunomoduladora (melhoram o sistema de defesa do organsimos);
  • Aumenta apoptose de células malignas (morte celular programada);
  • Anti-angiogênicas (evita que os vasos sanguíneos que alimentam as células malignas aumentem);
  • Diminui metástases (formação de uma nova lesão tumoral a partir da primeira, em local diferente).
Considerada a planta mais poderosa do mundo, é comprovadamente capaz de matar células cancerígenas, sendo comparado aos agentes de quimioterapia. Equivale a medicamentos químicos como Voltarem e Cataflam, mas sem oferecer nenhum risco à sua saúde. Substitui mais de 14 tipos de remédios disponíveis na farmácia.

DICA DA NUTRI: É recomendado combinar a curcuma/açafrão em pó ou a própria raiz com pimenta-do-reino, gengibre ou azeite, pois aumenta significativamente o nível de absorção pelo instestino.

domingo, 8 de junho de 2014

Principais Carcinogênicos Resultantes da Culinária

Olá amigos, boa noite!
No último IV International Conference of Nutritional Oncology (ICNO), que aconteceu no último mês de maio, foi abordado as aspectos carcinogênicos produzidos pela culinária, sendo estes: Aminas Heterocíclicas, Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos, Produtos de Glicação Avançada e Acrilamida.
As Aminas Heterocíclicas são produzidas pelos métodos culinários de calor seco, como grelhar, fritar, assar e o tipo de alimento é de fonte animal. O fator determinante para sua produção é a temperatura de 100°C-300°C.
Os Hidrocarbonetos Policíclicos, resultam da queima incompleta de de material orgânico, como o carvão e a lenha, sendo a produção do Benzopireno um dos principais produtos, componente presente também no cigarro.
A exposição a temperaturas de 100ºC-300ºC é o fator principal para a produção desta substância, a proximidade da chama e o teor de gordura dos alimentos também influenciam.                         
Os Produtos de Glicação Avançada formam-se a qualquer alimento exposto a calor extremo, como a pasteurização, fritura, grelhar, assar e microondas. A temperatura para a produção destes produtos é em torno de 230ºC. Um peito de frango grelhado de 90g possui entre 4000 a 9000 de Produtos da Glicação Avançada.
Por último, a Acrilamida, que são alimentos fontes de carboidrato e pobres em proteína submetidos a calor elevado. A reação começa a temperatura de 120º, quanto maior a temperatura e o tempo de exposição mais Acrilamida é produzido.
Então pessoal, muito cuidado no preparo dos alimentos. Os métodos mais indicados contra o câncer para o preparo dos alimentos são pelo calor úmido como, ferver, cozinhar no vapor, cozinhar na água fervente, refogar e estufar o alimento. As temperaturas utilizadas no calor úmido variam entre 60ºC a 100ºC, uma vez que a água atinge a ebulição aos 100ºC.
 Fica a dica!!